Previsão da Selic 2027: o Que Muda no CDB e no Tesouro Direto

A previsão da Selic 2027 já é o assunto do momento entre quem investe em renda fixa, e o motivo é simples: o Banco Central confirmou um novo corte na taxa básica de juros em setembro de 2026, e o mercado já projeta para onde os juros vão nos próximos anos. Se você tem dinheiro em CDB, Tesouro Selic ou fundo DI, entender essa trajetória pode ser a diferença entre manter o rendimento que você tem hoje e perder poder de compra sem perceber. Neste guia você encontra os números mais recentes do Boletim Focus, entende o que muda na prática para quem investe em renda fixa e ainda simula o próprio rendimento em cada cenário.
13,75%
Selic hoje, após o corte de setembro/2026
12,00%
Projeção da Selic para 2027, segundo o Focus
Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, o mercado projeta mais dois cortes ainda em 2026: 0,12 ponto percentual em novembro e 0,13 ponto percentual em dezembro, o que levaria a Selic a fechar o ano em 13,50%. Para 2027, a mediana das projeções segue em 12,00% ao ano, patamar mantido nas últimas semanas mesmo com o mercado revisando a inflação para cima.

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Previsão da Selic 2027 segundo o Boletim Focus

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a Selic de 14,00% para 13,75% ao ano na reunião dos dias 15 e 16 de setembro de 2026. A ata da reunião, divulgada em 22 de setembro, reforçou que o cenário econômico segue marcado por incerteza elevada e desancoragem das expectativas de inflação, o que levou o colegiado a adotar um tom mais cauteloso para as próximas decisões.

É justamente esse tom mais cauteloso que orienta a projeção da Selic para 2027 divulgada pelo mercado financeiro. No Boletim Focus mais recente, os analistas consultados pelo Banco Central passaram a projetar um corte de 0,12 ponto percentual na reunião de novembro, levando a taxa a 13,63%, seguido de mais 0,13 ponto percentual em dezembro, o que fecharia 2026 em 13,50%, o menor patamar previsto desde o boletim de 8 de junho.

Para os anos seguintes, a mediana das projeções permanece estável: 12,00% em 2027, 10,50% em 2028 e 10,00% em 2029. Ou seja, mesmo com o ciclo de cortes em curso, a Selic projetada para 2027 ainda aponta para um patamar de juros historicamente alto, bem acima da meta de inflação do país. Isso significa que a renda fixa deve continuar sendo uma opção competitiva pelos próximos anos, mesmo com o rendimento nominal caindo aos poucos.

Vale reforçar que essas são projeções, não garantias. O Boletim Focus é atualizado toda semana com base em pesquisa feita pelo Banco Central junto a mais de cem instituições financeiras, e os números mudam conforme surgem novos dados de inflação, câmbio e atividade econômica. Na última leitura, a projeção do IPCA para 2026 subiu de 4,90% para 4,92%, a primeira alta desde o fim de junho, o que mostra que o cenário ainda está longe de ser definitivo.

Hoje
13,75%

Taxa vigente após o corte confirmado pelo Copom em setembro. É a referência usada hoje para CDB, Tesouro Selic e fundos DI.

Dez/2026 (projeção)
13,50%

Se o mercado acertar, a Selic deve fechar o ano em 13,50%, após mais dois cortes nas reuniões de novembro e dezembro.

2027 (projeção)
12,00%

A previsão da Selic 2027 aponta para esse patamar, o menor em anos, mas ainda alto o suficiente para manter a renda fixa atrativa.

O que essa previsão muda no seu bolso

Na prática, essa projeção da Selic para os próximos anos afeta diretamente quatro produtos que a maioria dos brasileiros usa no dia a dia: poupança, CDB, Tesouro Selic e fundos DI. A poupança rende 70% da Selic mais a Taxa Referencial sempre que a taxa básica está acima de 8,5% ao ano, então uma Selic mais baixa significa, na prática, uma poupança ainda menos competitiva do que já é hoje.

Já o CDB costuma pagar um percentual do CDI, taxa que acompanha de perto a Selic. Um CDB que paga 100% do CDI hoje, com a taxa em 13,75%, rende proporcionalmente mais do que o mesmo CDB renderá em 2027, se a projeção de 12,00% se confirmar. Isso não significa que o CDB deixa de valer a pena, apenas que o rendimento em reais tende a ser menor para o mesmo valor investido. Você pode conferir mais detalhes em nosso guia sobre CDB que paga 100% do CDI.

O Tesouro Selic segue a mesma lógica: seu rendimento é atrelado diretamente à taxa básica de juros, então também deve render menos nos próximos anos. Ainda assim, continua sendo uma das opções mais seguras do mercado, recomendada principalmente para reserva de emergência, já que tem liquidez diária e o risco de crédito é do governo federal. Fizemos uma simulação completa em quanto rende R$ 1.000 no Tesouro Direto por mês.

Os fundos DI, por fim, seguem a mesma tendência de queda, mas vale redobrar a atenção à taxa de administração cobrada por cada fundo. Em um cenário de juros mais baixos, uma taxa de administração de 1% ao ano, por exemplo, passa a comprometer uma fatia proporcionalmente maior do rendimento total.

O tom de cautela do Copom também tem explicação. A ata divulgada em 22 de setembro citou o cenário fiscal, o comportamento do câmbio e as tensões comerciais internacionais como fatores que podem limitar o ritmo de cortes daqui para frente. Ou seja, essa projeção para 2027 pode mudar rapidamente se o cenário externo ou as contas públicas brasileiras piorarem, o que reforça a importância de acompanhar o Boletim Focus no site do Banco Central com regularidade, em vez de tomar decisões baseadas em uma projeção isolada.

Como a Selic chegou até aqui em 2026

Início de 2026

A Selic seguia em 15,00% ao ano, patamar herdado do ciclo de aperto monetário encerrado em 2025, o mais longo período de juros altos da década.

Meio do ano

Com a inflação dando sinais de desaceleração, o Copom sinalizou o início de um ciclo de cortes graduais, reduzindo a taxa aos poucos a cada reunião.

Agosto de 2026

Novo corte levou a Selic a 14,00% ao ano, mantendo o ritmo de reduções e reforçando a expectativa de continuidade do ciclo de queda.

15 e 16 de setembro de 2026

O Copom cortou a Selic para 13,75% ao ano, patamar atual, citando cautela diante da incerteza fiscal e do cenário externo.

Próximos passos

O Boletim Focus projeta mais dois cortes até dezembro, levando a Selic a 13,50% no fechamento de 2026, a caminho dos 12,00% projetados para 2027.

Como se proteger da queda da Selic

  1. Diversifique entre pós-fixado e prefixado. Com a Selic em trajetória de queda, títulos 100% atrelados ao CDI tendem a render menos ano após ano. Misturar uma parte da carteira em CDB ou Tesouro prefixado pode travar uma taxa maior enquanto ela ainda está disponível.
  2. Considere o Tesouro IPCA+ para prazos longos. Esse tipo de título garante um retorno real acima da inflação, o que ajuda a proteger o poder de compra do seu dinheiro mesmo se a projeção de 12,00% para 2027 se confirmar e os juros nominais continuarem caindo. Costuma valer mais a pena para objetivos de longo prazo, como aposentadoria.
  3. Reavalie a liquidez dos seus investimentos. Com juros mais baixos, o custo de oportunidade de deixar dinheiro parado em conta ou poupança aumenta. Revise se você realmente precisa de tanta liquidez imediata ou se parte desse valor pode ir para um CDB com prazo um pouco mais longo e rendimento melhor.
  4. Não decida só pela taxa nominal. Sempre olhe o rendimento líquido, depois de descontar Imposto de Renda e taxas de administração, e compare com a inflação projetada para o período. Um CDB que parece atrativo hoje pode render pouco na prática se o prazo for curto e a alíquota de IR for alta.
  5. Acompanhe o Boletim Focus regularmente. As projeções mudam toda semana, e ficar de olho nesses números ajuda você a ajustar a estratégia de investimentos antes que a taxa realmente mude, em vez de reagir depois que o rendimento já caiu.

Selic: histórico recente e previsão até 2029

PeríodoSelic (fim de período)Situação
2023 (dez)11,75%Realizado
2024 (dez)12,25%Realizado
2025 (dez)15,00%Realizado
2026 (set, atual)13,75%Realizado
2026 (dez)13,50%Projeção Focus
202712,00%Projeção Focus
202810,50%Projeção Focus
202910,00%Projeção Focus

A tabela reúne os valores de fechamento de cada ano e a trajetória projetada da Selic até 2029, conforme o Boletim Focus mais recente. Os dados de 2026 em diante são projeções e podem mudar nas próximas divulgações semanais do Banco Central.

Resumindo: a previsão da Selic 2027 aponta para uma taxa de 12,00% ao ano, ainda alta o suficiente para manter a renda fixa como uma opção sólida, mas que já indica uma tendência clara de queda nos próximos anos. Quem investe em CDB, Tesouro Selic ou fundos DI deve aproveitar a taxa atual para revisar a carteira, considerar prazos e produtos diferentes e não deixar dinheiro parado rendendo menos do que poderia. Para entender a lógica completa da renda fixa, vale ler nosso guia completo da renda fixa.

Perguntas frequentes sobre a previsão da Selic 2027

Segundo o Boletim Focus, a mediana das projeções do mercado financeiro aponta a Selic em 12,00% ao ano no fechamento de 2027. Esse número é revisado semanalmente pelo Banco Central e pode mudar conforme o cenário de inflação e atividade econômica evolui.

Sim. De acordo com o Boletim Focus mais recente, o mercado espera mais dois cortes ainda em 2026, um na reunião de novembro e outro em dezembro, levando a taxa a fechar o ano em 13,50%.

Ainda vale, principalmente em CDB que paga um bom percentual do CDI. Mesmo com a Selic mais baixa, a renda fixa brasileira segue com juros reais elevados. O ponto de atenção é observar o prazo e a alíquota de Imposto de Renda para não perder rendimento.

O rendimento do Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros, então ele tende a render menos conforme a Selic cai. Ainda assim, continua sendo uma opção segura para reserva de emergência, já que tem liquidez diária e baixo risco.

É um relatório semanal publicado pelo Banco Central com a mediana das expectativas de mais de cem instituições financeiras para indicadores como Selic, inflação, câmbio e PIB. É divulgado toda segunda-feira e serve como termômetro do mercado sobre os rumos da economia.

O Banco Central divulga o Boletim Focus toda segunda-feira, com as projeções atualizadas de mais de cem instituições financeiras. O relatório completo fica disponível no site oficial do Banco Central, no link indicado acima neste artigo.

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